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Nos dias 06 e 07 de agosto Belo Horizonte foi palco do 3º Simpósio Nacional de Assistência Farmacêutica, promovido pela Escola Nacional dos Farmacêuticos, com apoio da Federação Nacional dos Farmacêuticos (Fenafar).
Por Silvia Amâncio
O diretor do Sinfarmig e anfitrião do evento, Rilke Novato Públio parabenizou todos os profissionais presentes, comprometidos coma busca de conhecimento, capacitação e interação com os colegas de outros Estados. O diretor do Departamento de Assistência Farmacêutica do Ministério da Saúde (DAF/MS) José Miguel do Nascimento Júnior fez duras críticas às faculdades de farmácia que não preparam os estudantes para as responsabilidades da profissão farmacêutica e abordou a falta de farmacêuticos no interior do país. "Hoje, os profissionais estão concentrados nos grandes centros urbanos e a interiorização desses profissionais é fundamental".
Para José Miguel esse ideal só será alcançado com políticas que atendam às necessidades desses farmacêuticos oferecendo condições favoráveis de trabalho.
Ainda do Ministério da Saúde, a palestra da consultora técnica do Departamento de Atenção Básica (DAB/MS) Kária Cristina Poças sobre a importância do programa Saúde da Família, voltado para a promoção, prevenção, diagnóstico, reabilitação e manutenção da saúde. "O sucesso do programa reside na equipe de trabalho multidisciplinar, com profissionais de diversas áreas da saúde interagindo em prol da saúde dos pacientes", disse.
De acordo com a consultora técnica, atualmente o Núcleo de Assistência à Família (Nasf) conta com cerca de 400 farmacêuticos, que atuam no apoio técnico, pedagógico e clínico dessas equipes multidisciplinares espalhadas pelo país.
Sistema de patentes
"O intuito de se conceder patentes é para incentivar a produção científica e não monopolizar o conhecimento". Com essa fala, o pesquisador da Fio Cruz, Roberto Reis apresentou as polêmicas que envolvem o sistema de patentes, não só no Brasil como no mundo.
De acordo com o pesquisador, alguns pedidos de patentes não passam de meras modificações de moléculas existentes e citou como exemplos a sinvastatina e a atorvastatina.
Para a pesquisadora do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), Adelaide Antunes a baixa produção científica no Brasil figura como um dos principais fatores da dependência do país em importar medicamentos. "Na Índia, grande produtora de genéricos há empresas com mais de 800 pesquisadores entre e doutores e mestres. No Brasil a realidade é bem diferente".
Atualmente o INPI conta com 104 examinadores, 60 doutores, 41 mestres e 3 especialistas, menos da metade do que os indianos.
Ainda sobre patentes, advogada da Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (ABIAids), Renata Reis afirmou que o problema de patentes no mundo é opaco e complexo. "Precisamos fomentar o debate público, com ativistas, a sociedade em geral, a mídia e o judiciário, para que as patentes retornem ao domínio público". |